Indústria brasileira recua 0,8% e produção fica 16,5% abaixo do recorde histórico, aponta IBGE
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Indústria brasileira recua 0,8% e produção fica 16,5% abaixo do recorde histórico, aponta IBGE

05/11/2026 | 15:12 Por Redacao

Setor industrial registra pior resultado para setembro desde 2022 e está apenas 0,2% acima do nível anterior à pandemia. Dados mostram perda de ritmo da atividade nos últimos meses.

A indústria brasileira voltou a apresentar sinais de enfraquecimento em setembro de 2026. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção industrial caiu 0,8% em relação a agosto, considerando a série com ajuste sazonal.

Com o resultado, o setor passou a operar apenas 0,2% acima do nível registrado em fevereiro de 2020, período anterior à pandemia de Covid-19.

A distância em relação ao recorde histórico também aumentou. Atualmente, a produção industrial brasileira está 16,5% abaixo do pico alcançado em maio de 2011.

Os números fazem parte da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF) e foram comentados por André Macedo, gerente responsável pelo levantamento no IBGE.

Indústria registra maior queda para setembro desde 2022

A retração de 0,8% registrada em setembro representa o resultado mais negativo para esse mês desde 2022, quando a produção industrial apresentou queda de 1,6%.

O desempenho reforça a perda de dinamismo observada nos últimos meses.

Segundo André Macedo, a sequência de resultados negativos e de crescimento mais fraco tem reduzido gradualmente a vantagem da indústria em relação ao período anterior à pandemia.

O movimento indica que o setor está cada vez mais próximo do nível de produção registrado há mais de seis anos.

Produção industrial perde força ao longo de 2026

Os dados do IBGE mostram que a distância positiva em relação a fevereiro de 2020 diminuiu de forma contínua entre abril e setembro.

Confira a evolução:

Mês de 2026 Produção em relação a fevereiro de 2020
Abril +4,5%
Maio +3,4%
Junho +1,8%
Julho +1,7%
Agosto +1,0%
Setembro +0,2%

Em apenas cinco meses, a vantagem sobre o patamar pré-pandemia caiu de 4,5% para 0,2%.

O resultado de setembro representa a menor diferença positiva registrada em 2026 e também a menor desde dezembro de 2025.

Setor está 16,5% abaixo do recorde de 2011

Outro indicador que chama a atenção é a distância entre a produção atual e o maior nível já registrado pela indústria brasileira.

O pico histórico da série foi alcançado em maio de 2011.

Desde então, o setor passou por diferentes períodos de expansão e retração, sem conseguir recuperar aquele patamar.

Com os resultados recentes, a produção está 16,5% abaixo do recorde.

De acordo com o IBGE, essa distância já foi maior em determinados momentos de 2024 e chegou a ser menor em abril de 2026.

Entretanto, o desempenho negativo dos últimos meses voltou a ampliar a diferença.

Indústria já operou abaixo do nível pré-pandemia

Embora o resultado de setembro ainda esteja ligeiramente acima do patamar de fevereiro de 2020, o IBGE destaca que a produção industrial já apresentou desempenho inferior ao período anterior à crise sanitária.

Em maio de 2024, por exemplo, o setor estava 1,7% abaixo do nível pré-pandemia.

A comparação demonstra que a recuperação industrial não ocorreu de maneira contínua.

Segundo André Macedo, o resultado atual representa a menor distância positiva em relação ao período anterior à pandemia registrada neste ano.

O que os números do IBGE mostram?

Os indicadores revelam dois movimentos importantes na indústria brasileira.

O primeiro é a redução da produção no curto prazo, demonstrada pela queda de 0,8% entre agosto e setembro.

O segundo é o enfraquecimento do desempenho acumulado em relação a períodos de referência, especialmente fevereiro de 2020 e maio de 2011.

Apesar de ainda operar ligeiramente acima do nível pré-pandemia, a indústria praticamente eliminou a vantagem que havia alcançado em abril de 2026.

O cenário apresentado pelo IBGE evidencia a perda de ritmo da atividade industrial e a dificuldade do setor em se aproximar novamente de seu recorde histórico.