No final do século XIX, o Paraná era um dos estados menos populosos do país. Enquanto Bahia e Minas Gerais ultrapassavam um milhão de habitantes, a então província paranaense contava com uma população de pouco mais de 120 mil pessoas, de acordo com o censo demográfico de 1872. Número bem inferior aos 11,8 milhões de habitantes de hoje.
À época, o Paraná dava passos curtos no contexto criativo, sem grande incentivo às artes e vivendo na ausência de uma identidade cultural própria que o projetasse nacionalmente. Atualmente, é pacífico o pensamento de que esse problema encontrou solução a partir do Paranismo, movimento que, entre 1920 e 1930, trouxe produções artísticas que destacavam os símbolos do Paraná — o pinhão, a erva-mate, a gralha azul — que hoje fazem parte da cultura regional.
Mas o que nem todo mundo sabe é que, antes do Paranismo, uma agremiação de poetas se uniu para tentar solucionar a questão a partir de um outro movimento, o Simbolista, que à época se concentrava na França e era focado na representação de ideias através de símbolos, utilizando musicalidade e linguagem vaga para explorar questões como a subjetividade e o misticismo.
No Paraná, o Simbolismo foi projetado pelos poetas Dario Vellozo, Silveira Netto, Júlio Pernetta e Antônio Braga, que estavam incomodados com o escanteio do Paraná nas discussões culturais e intelectuais, especialmente em Curitiba.
Em 1895, o quarteto fundou a revista O Cenáculo para publicações literárias diversas: poemas, ensaios, críticas, textos traduzidos do francês e artigos por autores convidados de outros estados e países.
A revista teve vida curta e foi descontinuada em 1897, mas a ambição dos cenaculistas em criar um canal para a discussão artística no Paraná resultou em efeitos que se perpetuaram.
De acordo com a professora e pesquisadora da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) Silvia Mello, as discussões fomentadas pelos cenaculistas no contexto simbolista abriram espaço para a ideia de uma cultura própria paranaense.
O movimento que os poetas apoiavam existia em oposição ao modernismo e ao realismo da época. Eles buscavam força no oculto, no pessimismo em relação ao futuro e em elementos sensoriais. Os poetas Charles Baudelaire, autor de “As Flores do Mal”, e Arthur Rimabaud, conhecido pelo poema “Uma Temporada no Inferno”, são figuras fundamentais das diferentes fases do movimento.
Na importação para o Paraná, a corrente artística passou a adquirir características próprias. Segundo a pesquisadora Silvia, o simbolismo paranaense incorporou muitos sentimentos do contexto histórico da época.
Ainda que o movimento integrasse aspectos do otimismo que o progresso causava em todo o Brasil, a desilusão com a modernidade seguiu predominante. Vivendo na época da Revolução Federalista, os cenaculistas paranaenses não escondiam, especialmente, o mal-estar causado pela guerra.





