Maioria dos municípios dos Campos Gerais tem estrutura frágil para enfrentar desastres
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Maioria dos municípios dos Campos Gerais tem estrutura frágil para enfrentar desastres

12/08/2026 | 19:07 Por manu

Levantamento aponta falta de sistemas de alerta, veículos para áreas rurais, geradores e planos de recuperação pós-desastre; Piraí do Sul está entre os municípios em situação intermediária

Apenas 6 dos 19 municípios dos Campos Gerais, o equivalente a 32% da região, estão classificados como estruturados para enfrentar desastres climáticos. O levantamento aponta fragilidades em áreas consideradas essenciais para a resposta a ocorrências como temporais e tornados.

Os dados foram levantados pelo Programa de Avaliação de Contas Municipais de Governo (Progov), do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR), a partir de informações declaradas pelas próprias prefeituras.

Entre os municípios analisados está Piraí do Sul, que foi atingido por um tornado no último fim de semana, provocando danos em comunidades da área rural.

Maioria permanece em situação de vulnerabilidade

De acordo com o levantamento, Carambeí, Palmeira, Porto Amazonas, Reserva, Arapoti e Telêmaco Borba estão entre os municípios considerados estruturados para enfrentar desastres.

Outros sete municípios, incluindo Piraí do Sul, estão classificados em uma faixa intermediária. Seis municípios aparecem em situação considerada crítica.

Entre os casos mais frágeis está Imbaú, que não pontuou nos critérios avaliados pelo Progov. Ipiranga, por sua vez, atende a apenas 10% dos itens analisados.

Os dados indicam que as principais dificuldades da região estão justamente em estruturas relacionadas à resposta imediata durante situações de emergência, especialmente sistemas de alerta antecipado, mobilidade em áreas rurais e disponibilidade de energia emergencial.

Poucos municípios possuem estrutura de emergência

O levantamento mostra que apenas dois municípios dos Campos Gerais possuem gerador elétrico próprio.

Além disso, somente quatro realizaram simulados de alerta no período de referência, enquanto apenas dois possuem plano formalizado de recuperação pós-desastre.

Esses recursos são considerados importantes para ampliar a capacidade de resposta das administrações municipais diante de eventos climáticos extremos.

Piraí do Sul apresenta lacunas

No caso de Piraí do Sul, a ficha municipal analisada não registra a existência de sistema próprio de alerta, estação meteorológica, veículo destinado ao atendimento de áreas remotas ou gerador elétrico.

As lacunas apontadas no levantamento coincidem com dificuldades enfrentadas durante o atendimento aos danos provocados pelo tornado que atingiu o município no último fim de semana.

O fenômeno atingiu principalmente comunidades da área rural e deixou imóveis danificados e moradores afetados.

Progov avalia preparação dos municípios

Na área ambiental, o Progov reúne cerca de 2 mil servidores públicos municipais e contempla mais de uma centena de questões relacionadas à defesa civil, planejamento urbano, drenagem, saneamento, resíduos sólidos e adaptação às mudanças climáticas.

Os questionários procuram identificar, entre outros pontos, se os municípios possuem planos de contingência, mapeamento de áreas de risco, sistemas de alerta, programas de limpeza de bueiros e estrutura para atender pessoas atingidas por desastres.

O programa foi criado para ampliar a análise sobre a atuação das administrações municipais, considerando não apenas os dados financeiros, mas também a eficácia das políticas públicas e dos serviços oferecidos à população.

Nova avaliação será realizada em novembro

Os questionários utilizados pelo programa são discutidos previamente por meio de projetos-piloto. Ao longo do ano, oficinas e encontros também aproximam técnicos das prefeituras e equipes do Tribunal de Contas.

Somente em 2026, foram realizadas cerca de 100 oficinas em todo o Paraná, com turmas de servidores organizadas conforme as diferentes áreas temáticas avaliadas.

Uma nova avaliação da situação dos municípios deverá ser realizada em novembro.

As respostas fornecidas pelas prefeituras são públicas e podem ser consultadas pela população, permitindo a comparação entre as informações oficiais e a realidade dos municípios.